Fanfic: O nascimento de Jesus

dezembro 25, 2007

José e seu Maranello Amarelo, ano 79 com 400 cavalos de potência, estão desesperados. No banco de trás uma mulher, uma Maria com uma criança prestes a nascer, está mais calma que o motorista, mas mesmo assim desesperada, afinal vai ser mãe e pela primeira vez.

A chuva cai forte e José corta os carros como se eles estivessem parados, nas curvas é um pé na embreagem e outro no acelerador, freio? Pra que serve isso? A sua frente há um hospital público, é lá o destino já que os particulares estavam todos fechados para as férias coletivas do ano novo.

Um carro acabou de sair da frente do hospital, há uma vaga para estacionar o carro, minúscula, mas há uma vaga! José não quer saber de nada, arranca em cima do pára-choque do carro da frente e em seguida bate no pára-choque do carro atrás, o carro está a quase um metro do calçada e todo torto, mas numa altura dessas o que importa? José sai em desespero no meio da chuva forte, entra no hospital deixando sua esposa no carro, chega até o guichê da recepção e comunica:

– Minha esposa está prestes a ter um filho, chama o doutor! – diz José gritando, mesmo sem perceber isso.

– Desculpe senhor, não temos leitos e o único médico de plantão está descansando agora, afinal já vai dar meia noite!

– O que? Ela está tendo um filho e o cara está dormindo!?!? Eu pago imposto pra que? Preciso de um quarto! Agora!

– Senhor, me desculpe, mas nada posso fazer, o médico não se encontra no hospital, acabou de sair de carro, não sei quando volta.

– Então me dê um leito! Por favor!

– Todos estão ocupados, senhor. Hoje teve ma manifestação contra uma Conferência Política aqui na cidade, muitos manifestantes ficaram levemente feridos, mas ainda sim feridos, você não viu o jornal?

– Me dê por favor um lugar! Qualquer um! Minha mulher não pode ter um filho dentro de um carro… ainda mais esse filho… – diz ele abaixando a voz.

– Posso pedir para a enfermeira improvisar uma maca para ela na lavanderia, é meio sujo, mas…

– … tudo bem… não tem mais jeito mesmo… mas então ande, vou buscá-la!

José correu para buscá-la e junto a única enfermeira no hospital a levou para lavanderia do sub solo, não há muita luz no lugar, aquela porcaria daquela lâmpada está queimada a mais de 3 meses! Só há a luz amarela da lâmpada que se encontra no fundo da lavanderia. O lugar cheira a roupa suja, também pudera, se não cheirasse que seria estranho, mas era o que tinha no momento. Havia uma maca feita com as roupas já lavadas que esperava a futura mamãe e um cesto coberto por um pano de um amarelo bem sem graça que esperava o futuro recém nascido. A enfermeira saiu, afinal ela tem todo o setor para cuidar sozinha, pois alguns segundos antes do casal chegar o médico saiu de carro com a outra enfermeira em seu Astra preto semi-novo sabe-se lá Deus pra onde.

Então em meio a correria, dúvidas, gritos e gemidos nasce um menino, O menino. Mesmo cheio de sangue, mesmo ainda com o cordão umbilical ele é lindo, José encantado e chorando feito criança pega uma camisa que pelo menos parece limpa e o segura, o limpa, corta o cordão umbilical e contempla o milagre da vida, a vida dele, a de José, aquele filho é como a vida dele. Ele o olha orgulhoso, pra ele é um filho, o primeiro de muitos segundo ele. Maria está bem, tudo está bem, até a chuva parou por alguns instantes, mas já voltou a cair em toda a sua fúria.

Então de repente três homens de terno e gravata entram no recinto, junto deles há uma enfermeira, não a mesma que atendera o casal anteriormente, essa é bonita, com um rosto reluzente e angelical, seu uniforme é branco o bastante para brilhar no recinto como uma estrela de brilho próprio.

– Vocês podem pegar toalhas aqui – diz ela.

Os homens entram enojados com o local, não estavam acostumados com isso, afinal, são nada mais que amigos e companheiros de partido, são o governador, o prefeito e o senador da cidade, de passagem lá por causa da Conferência Política, o carro em que estavam bateu em um que estava no meio da rua, muito mal estacionado em frente ao hospital. Eles olharam José e o ignoraram, porém ao virem a criança se impressionaram, e que bela criança essa, nem tão grande, nem tão pequena, nem tão cabeluda, nem tão careca, nem tão nada, perfeita, pura e simplesmente.

Então os governantes chegaram perto da criança, ela estava nos braços de Maria, o que deixou José preocupado, mas sua preocupação parou quando viu os homens de terno fino contemplarem a criança de uma forma estranha, como se a criança fosse um pai para eles. Imediatamente o senador tirou seu sobretudo e entregou a José, o Prefeito tirou um cheque em branco, assinou e deu para José. O governador retirou um papel e anotou o número de seu celular particular e se prontificou a pagar o melhor hospital para a criança e pediu para que assim que parasse a chuva que José e Maria fossem para qualquer hospital, pois ele pagaria tudo que fosse preciso.

A atendente do guichê apareceu no recinto, ela foi avisar que o táxi para os três políticos havia chegado. Eles então se retiraram deixando José e Maria perplexos. A enfermeira que levou os governantes até os dois sumiu, jamais foi vista antes e nem depois do ocorrido.

Jesus cresceu, se tornou mais influente do que juntos os três governantes que o visitara naquele dia poderiam ser, mas aos 33 anos foi morto em um acidente que serviu de exemplo pra conscientizar o mundo de alguns problemas em que se afoga. Após o acidente muitas pessoas foram salvas graças a esse exemplo.

Então em homenagem ao exemplo mor, que veio nas dificuldades que qualquer um pode ter, no desespero que qualquer pai pode ter, que nasceu como qualquer um pode nascer, que viveu como qualquer um pode viver, pois bem, o dia 25 de Dezembro foi decretado como feriado mundial da união, da entrega, da misericórdia e principalmente do amor, amor por você.

Feliz Natal.

Renato Cavallera
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